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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Jogadoras da seleção da Venezuela acusam ex-treinador de abuso sexual: «Não nos calaremos mais»

 

Vinte e quatro jogadoras da seleção feminina de futebol da Venezuela acusaram o antigo treinador Kenneth Zseremeta de assédio sexual e abuso físico e psicológico. Numa carta aberta divulgada nas redes sociais, as jogadoras dão conta de que abusos teriam acontecido entre 2008 e 2017, período em que Zseremeta comandou a equipa em diversas categorias. No relato, há pelo menos um caso de abuso sexual.

"No ano passado, uma de nossas companheiras confessou-nos que tinha sido abusada sexualmente desde os 14 anos pelo treinador Kenneth Zseremeta. O abuso durou até que ele fosse despedido. O cúmplice dele em tudo isso foi Williams Pino. Foi uma notícia que para todas nós foi muito difícil de assimilar, já que muitas de nós nos sentimos culpadas por ter estado tão perto de tudo isso e não nos termos dado conta de algo tão grave e punível. Ao mesmo tempo, a confissão não nos surpreendeu, pois esse era o tipo de ambiente que o treinador cultivava dia a dia".

Entre 2013 e 2017, pode ler-se igualmente no comunicado, "surgiram numerosos incidentes em redor da figura do treinador Zseremeta, os mais comuns sendo o abuso físico e psicológico durante os treinos". "As jogadoras da comunidade LGBTQI+ eram constantemente questionadas por causa da sua orientação sexual e o assédio às jogadoras heterossexuais era constante (...) As insinuações sexuais eram temas do dia a dia assim como os comentários até à atração física de muitas de nossas jogadoras".

As jogadoras encerram a carta aberta pedindo "a todas as pessoas pertinentes", como FIFA, confederações, federações e ligas, que "não permitam que esse 'treinador' continue a fazer vida dentro do futebol feminino". "Como jogadoras, não nos calaremos mais, no entanto sabemos que precisamos de apoio de todas essas instituições para proteger as jogadoras de futebol a nível global, e criar uma cultura onde podemos estar a salvo".

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