O Aarhus convidou os familiares de Jan Biermann para assistirem ao duelo frente ao Benfica, um adepto muito especial dos dois clubes e com uma forte ligação aos encarnados. Viria a falecer em dezembro de 2025, aos 77 anos.
Natural de Aarhus, Jan Biermann tinha apenas 12 anos quando se cruzou com a equipa do Benfica, durante a visita das águias à Dinamarca em 1961, na caminhada rumo à primeira Taça dos Campeões Europeus. À porta do Hotel Royal, onde a comitiva encarnada estavaa hospedada, o jovem foi muito acarinhado pelos jogadores do Benfica, entre eles Eusébio.
Já depois do jogo que terminou com a goleada das águias por 4-1, com dois golos de José Augusto, Jan Biermann foi um dos adeptos do Aarhus que levou o antigo avançado das águias em ombros.
“Ele pensou que íamos agredi-lo”, recordou o adepto à conversa com o nosso jornal, no ano passado. “Mas entrámos no relvado para o levar em ombros, depois da partida fantástica que acabáramos de ver. Anos depois, disse-me que não esqueceu aquele momento.”
Uma ligação para a vida
Por intervenção do dirigente José Coelho Virgílio, a direção de Maurício Vieira de Brito tornou-o sócio e ofereceu-lhe um equipamento do Benfica. A partir daí, sempre que as águias se deslocavam àquele país, Biermann era convidado a integrar a comitiva. Em 1969, Eusébio ofereceu-lhe a camisola que utilizou no jogo frente ao Copenhaga.
Em 2016, o dinamarquês esteve em Lisboa para doar ao museu do Benfica todo o seu espólio relacionado com os encarnados, desde autógrafos e fotografias, até ao cartão de sócio e à camisola de Eusébio, que lhe oferecida em 1969. Aliás, recusou vendê-la por 2 mil euros ao diretor do hotel onde se instalara. Já em fevereiro deste ano marcou presença no lançamento do livro 'José Augusto e o Benfica dos Anos 60', que teve lugar no Estádio da Luz.
"Simplesmente havia uma conexão", recordou Jan Biermann em entrevista. "O Virgílio, que me acolheu, tinha um filho da minha idade. Talvez ele o tenha visto em mim e tenha sentido saudades."












