Nuno Neves, vice-presidente do União da Serra, espera que o Sporting possa ceder a receita da partida da quarta eliminatória da Taça de Portugal a disputar em Alvalade no próximo mês de novembro. Embora lembre que não seja prática comum dos leões, o dirigente do emblema do Campeonato de Portugal evoca os estragos causados pela tempestade Kristin no início do ano na região.
"Tínhamos o pavilhão em construção, mas não estava vedado e tivemos prejuízos enormes com a tempestade, acima dos 200 mil euros, que dificilmente conseguiríamos colmatar se não fosse a entrega total da população para conseguir resolver toda a situação. E este jogo até nos pode ajudar em termos financeiros", admitiu a Record na Cidade do Futebol, onde decorreu o sorteio.
"Nós adoraríamos [que o Sporting cedesse a receita], é claro que queríamos, mas tenho a sensação de que o presidente Frederico Varandas, num passado recente se prenunciou sobre o tema e disse que não, que o Sporting não fazia isso. Vamos abordá-los na mesma, lembrando até a situação da tempestade e todas as dificuldades que passámos. Veremos o que irá acontecer", vincou.
Independentemente do que acontecer, Nuno Neves vê a visita a Alvalade como um "prémio" para o clube, que amanhã completa 50 anos de vida: "Merecemos muito, porque temos trabalhado muito para o clube, para um bem social, que é ter muitos atletas no futebol, no andebol, e sabemos que muitas vezes os apoios não são possíveis e temos de trabalhar gratuitamente para que possamos proporcionar a prática do desporto a muitos jovens. Estamos a terminar o nosso pavilhão, com ajuda de dinheiros públicos, da Câmara Municipal de Leiria, mas essencialmente com muito trabalho e esforço."
"É uma sensação indescritível, amanhã faz 50 anos que o clube foi fundado e era este o nosso desejo, visitar um clube grande, porque sabíamos que a nossa casa leva pouca gente e não tinha condições para receber um jogo desta dimensão. Tínhamos de jogar num estádio emprestado – a Câmara Municipal de Leiria já nos tinha dito que nos permitia jogar lá caso fosse em casa –, mas para nós ir a Alvalade é uma alegria enorme. Foi a nossa maior prenda para o cinquentenário", considerou.
Quanto ao jogo, o dirigente lembra que a prova rainha é rica em surpresas, mas destaca a realidade amadora do clube. "Às vezes acontece, mas temos os pés bem assentes na terra. Somos um clube completamente amador. As pessoas trabalham, os jogadores têm as suas profissões e ainda há pouco falava com um jogador que ao sábado tem de trabalhar e quando chega a domingo está cansado porque não tem o descanso suficiente. É um pequeno milagre o que andamos a fazer. Treinamos à noite e só temos um campo para todos, não temos um secundário. Às vezes, a equipa principal treina com a de juniores ao lado. Por isso, temos noção da dificuldade que será fazer algo", assume.
Alvalade será... JamorAinda assim, Nuno Neves realça que será um dia de festa para as gentes de Santa Catarina da Serra, uma "pequena freguesia" no distrito de Leiria com cerca de 5 mil habitantes. "Levámos 500 pessoas a Setúbal em quatro autocarros e foi uma festa muito bonita. Fomos jogar em casa de um histórico e para nós já era ótimo. Desta vez, queremos fazer o nosso Jamor. Alvalade será o nosso Jamor."
"Por acaso, até vamos ter um contratempo, porque vamos receber o festival "O Chícharo da Serra" no nosso complexo e calha precisamente nesse fim-de-semana. É um evento grande que nos vai obrigar a fazer um esforço triplo ou até quádruplo para tudo funcionar da melhor maneira, mas acredito que a freguesia vai-se unir toda para ir até Alvalade", terminou.