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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Gonçalo Ramos: «Eu e Amorim vemos o futebol da mesma forma. É bom sentir que o treinador confia em ti»

 

Gonçalo Ramos diz que tem coisas em comum com Ruben Amorin, seu treinador no Milan, no caso a forma como vê o futebol. Apesar de já ter jogado e marcado pelo novo clube, o internacional português foi hoje apresentado com outra pompa e circunstância como reforço dos rossoneri e não poderia mostrar-se mais feliz com o novo desafio.

"Eu e o treinador vemos o futebol da mesma forma, e é bom sentir que o treinador confia em ti e te quer no projeto. Isso dá-me mais vontade de jogar, de estar aqui, de ajudar a equipa, e na minha opinião, isso é uma das coisas mais importantes. O AC Milan é um dos maiores clubes do mundo, e para mim é ainda mais especial porque era o clube favorito do meu pai, por isso torna-se especial nesse sentido. O grupo é fantástico. Estou muito feliz por trabalhar com eles. Tem sido uma boa experiência, umas boas primeiras semanas, e mal posso esperar para começar a época e o campeonato", disse o dianteiro de 25 anos, aos meios do clube, mostrando ter certezas que tomou a "decisão certa". "Para mim foi claro desde o primeiro momento que queria estar aqui e fazer parte deste clube e deste projeto."

Já com muita experiência acumulada e um palmarés bem recheado, Gonçalo Ramos rebobina a fita e fala sobre o percurso que o levou até Milão. "Quando tinha doze anos, decidi mudar-me do Algarve para Lisboa para viver na academia do Benfica, e penso que foi uma escolha dura porque deixei tudo, inclusivamente a minha família no Algarve, para ir atrás do meu sonho, trabalhar arduamente e respeitar toda a gente e tudo o que nos rodeia. Desse modo, mesmo que sejas bom ou mau, ninguém pode dizer nada sobre ti, porque fizeste o teu trabalho. E no fim, penso que, ano após ano, começas a sentir que o sonho está mais próximo, é mais alcançável, e precisas de dar tudo para seguir o teu sonho e o teu caminho. Eu tinha o sonho de jogar na equipa principal do Benfica e na Seleção Nacional, e consegui. Depois fui para o Paris Saint-Germain, ganhei a Liga dos Campeões, joguei num dos melhores clubes do mundo e depois vim para outro grande clube, um dos melhores do mundo também. Tem sido uma grande jornada. Penso que é difícil descrevê-lo em palavras, tento apenas desfrutar e dar tudo, porque tudo passa muito rápido e em alguns anos perceberei o que estou a fazer agora."

Sobre a pressão que espera encontrar em San Siro e a responsabilidade de vestir a listada preta e vermelha, o internacional luso assegura que o lado mental é cada vez mais importante no futebol profissional. "A mentalidade é mais importante do que o talento. Podes ter muito talento, mas se não tiveres mentalidade, podes jogar, mas não vais jogar nos melhores clubes do mundo. Se tiveres uma mentalidade muito forte e um pouco de talento, julgo que estás mais perto de atingir esse nível. Agora que cheguei ao AC Milan, um dos maiores clubes do mundo, claro que vai haver pressão. Se não for mentalmente forte, posso descer de nível facilmente. Tento trabalhar nisso para estar pronto para tudo, porque se for forte mentalmente, acho que vou ficar bem e tudo correrá fiavelmente pelo melhor. Confio em mim, confio na minha mentalidade e, no fim, é sempre bom prepararmo-nos e pensarmos assim", disse o avançado ex-Benfica, definindo-se como jogador.

"Sou um avançado, por isso guio-me um pouco pelo instinto, por ser inteligente e pelas sensações do jogo. É claro que exige muito trabalho, mas em alguns lances é puro instinto e sensação. Quando estou lá, simplesmente acontece, e espero que todos possam ver isso. O meu objetivo é ganhar muitos troféus, tantos quanto possíveis, e, esperemos, marcar muitos golos."

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